Abordagem multidisciplinar em pacientes com microdontia de incisivos laterais superiores. Relato de caso | Revista Mexicana de Ortodoncia

INTRODUÇÃO

Microdontia é uma anomalia em que os dentes são mais pequenos do que o normal. Apresenta problemas que afectam o comprimento do arco e a estética facial. Quando a largura do incisivo lateral superior (ULI) é inferior, igual ou até 0,7mm mais larga do que o incisivo lateral inferior, o resultado seria um excesso de material dentário inferior em relação ao superior.1 O tamanho do dente é determinado geneticamente e a sua diminuição deve-se ao enfraquecimento do corpo do esmalte durante o período de diferenciação. A microdontia pode ocorrer devido a factores genéticos e ambientais e é classificada em localizada ou generalizada sendo a primeira condição mais comum.2 Binder e Cohen, com base em dados fornecidos por Moorrees e Moyers onde o tamanho normal dos dentes foi determinado, indicam que os incisivos laterais superiores são 12-14% mais largos do que os incisivos laterais inferiores.3 Num estudo realizado no México por Gómez-Fernández et al., concluiu-se que 42,5% dos modelos estudados apresentavam microdontias nos incisivos laterais superiores de acordo com os critérios determinados por Binder e Cohen, que devem ser considerados no planeamento do tratamento ortodôntico.4 Foi sugerido que a largura mesiodistal dos incisivos laterais é menor em pessoas com má oclusão de classe III,5 contudo, outros estudos demonstraram que não existe diferença estatisticamente significativa entre as más oclusões e a presença de incisivos laterais com microdontia.6

RELATÓRIO DE CASO

Um paciente de 11 anos e 4 meses de idade, mesofacial, que no seu interrogatório médico e dentário não referiu nenhuma informação clinicamente relevante, é apresentado (Figura 1).

Fotos extra-orais iniciais.br>>
div>Figure 1.

Fotos extraorais iniciais.

(0.1MB).

Análise intraoral. Foram observados incisivos laterais microdônticos, um desvio de 0,5 mm para a esquerda da linha média dentária inferior em relação à linha média dentária superior, molar e canino classe I, ligeiro apinhamento inferior e forma de arco (Figura 2).

Fotos intrabucais iniciais. A) Frente, B) Lado direito, C) Lado esquerdo, D) Oclusal superior, E) Oclusal inferior.
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div>Figure 2.

Fotos intraoraisniais.

A) Frente, B) Lado direito, C) Lado esquerdo, D) Oclusal superior, E) Oclusal inferior.

(0.13MB).

Análise radiográfica. Foi diagnosticada uma classe esquelética hiperdivergente I (Figura 3). No raio-X panorâmico (Figura 4) pode ser observada a presença do segundo molar decíduo direito e paralelismo de raiz inadequado.

Filme lateral da cabeça.
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div>div>Figure 3.

Filme lateralnitial da cabeça.

(0.07MB).

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Radiografia panorâmica inicial.br>>>/div>

div>div>Figure 4.

Radiografia panorâmicanitial.

(0.07MB).

Metas de tratamento. Para melhorar o perfil facial, corrigir o apinhamento mandibular, conseguir uma sobremordida e sobrejacto normais, a classe canina bilateral I e linhas intermédias dentárias correspondentes, bem como manter a classe molar bilateral I, conseguir uma intercuspidação correcta, orientação canina e uma oclusão mutuamente protegida.

Tratamento. O tratamento começou com o alinhamento e nivelamento dos arcos. O fechamento do espaço foi recíproco usando um laço de inicialização que foi activado 1mm por mês.

Desincrustação foi realizada para o detalhamento e depois, retenção. Na análise do progresso do tratamento foi observada uma alteração facial bem como uma melhoria na forma dos arcos (Figuras 5 a 7).

Fotos extraorais do progresso do tratamento.
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Figure 5.

Fotos extra-orais do progresso do tratamento.

(0.12MB).

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Fotos intraorais do progresso do tratamento.br>>>/div>

div>div>Figure 6.

Fotos intraorais em progresso do tratamento.

(0.1MB).

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Fecho de espaço e forma de arquivo.br>>>/div>

div>div>Figure 7.

Fechamento do espaço e forma de arco.

(0.2MB).

No perfil lateral do progresso do tratamento ocorreu uma alteração significativa no perfil e a nível dentário. Esta última foi corroborada com as seguintes medidas cefalométricas: Incisivo superior à SellaNasion, incisivo superior ao plano palatal, incisivo inferior ao plano mandibular, ângulo interincisal, ângulo nasolabial e ângulo mentolabial. Estes valores mostraram uma retroclinação do incisivo superior, retroclinação do incisivo inferior e uma alteração nos tecidos moles (Figura 8).

Filme da cabeça lateral do progresso do tratamento.
<
div>Figure 8.

Filme da cabeça lateral em progresso do tratamento.

(0.05MB).

Resultados do tratamento. Nas fotografias extraorais finais pode observar-se que o paciente permaneceu dolicofacial com um perfil agradável. A sobremordida e o sobressalto normais foram alcançados, bem como a correspondência das linhas médias dentárias, classe canina I, classe molar I e boa intercuspidação. Foram realizadas restaurações compostas directas nos incisivos laterais superiores. Na vista oclusal, observou-se uma forma oval e contínua dos arcos maxilares e mandibulares, tendo sido colocados retentores circunferenciais superiores e inferiores (Figuras 9 a 11).

Final extraoral photographs.
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div>div>Figure 9.

Fotografias extraorais finais.

(0.13MB).

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Final fotografias intraorais.br>>>/div>

div>div>Figure 10.

Fotografias intraorais finais.

(0.14MB).

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Retenção.
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div>div>Figure 11.

Retenção.

(0.14MB).

No filme lateral da cabeça pode observar-se que a classe esquelética hiper-divergente I foi mantida com uma ligeira alteração dentária em comparação com a análise do progresso. Na radiografia panorâmica é observado um paralelismo radicular aceitável, bem como a erupção dos terceiros molares (Figuras 12 e 13).

Final do filme da cabeça lateral.
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div>Figure 12.

Final lateral headfilm.

(0.07MB).

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Radiografia panorâmica final.br>>>/div>

div>>div>Figure 13.

Radiografia panorâmica final.

(0.06MB).

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DISCUSSÃO

Autores como Kubodera et al. identificaram o tamanho mesiodistal dos dentes nos mexicanos e descobriram que na arcada superior o dente que apresenta a maior variabilidade é o incisivo lateral.7 O presente caso tinha afectado os incisivos laterais. No entanto, os resultados obtidos foram positivos e coincidem com o que foi afirmado por Gibilisco: que a área mais susceptível de anomalias de tamanho como a microdontia é a região anterior superior, mais especificamente, os incisivos laterais superiores seguidos pelos terceiros molares superiores, mas sem excluir o seu aparecimento em qualquer outro local das arcadas, por exemplo, pré-molares e incisivos inferiores.8 A microdontia tem um impacto directo no alinhamento dentário, impedindo assim uma boa relação com os antagonistas e favorecendo uma variedade de anomalias que desencadeiam más oclusões, bem como alterações na trajectória eruptiva dos caninos superiores, causando retenção e impossibilitando a obtenção de orientação canina e anterior.9

CONCLUSÃO

Devem ao impacto psicossocial que a microdontia dos incisivos laterais superiores causa, comprometendo a estética e dado que estes pacientes assistem à consulta ortodôntica em busca de estética; a decisão sobre o tratamento a realizar será um consenso entre o ortodontista, o especialista em reabilitação oral e o paciente, tendo em consideração o custo/benefício de acordo com as necessidades e expectativas do paciente e terminando o caso com resultados dentários óptimos ou favoráveis.

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