Cerejeiras que se adaptam a áreas muito mais quentes

As altas temperaturas dos últimos dias não são típicas do período de Inverno. E não só isso, mas podem ser totalmente prejudiciais para a futura colheita de cerejas que terá lugar de Abril a Julho. E tudo isto porque esta árvore frutífera requer muitas horas de frio para florescer (900-1800), o que significa que em áreas com pouca acumulação de frio durante o Inverno, o seu cultivo não é muito viável.

Ciente de que a mudança climática é uma realidade que já aqui está, do Centro de Investigação e Tecnologia Agro-alimentar de Aragão (CITA), o investigador de pós-doutoramento Alejandro Calle, sob a direcção da investigadora Ana Wünsch, chefe da Unidade de Horticultura, e em colaboração com investigadores da Universidade Estatal de Michigan A. Iezzoni e L. Cai, centrou a sua tese no campo da fruticultura.Cai, concentrou a sua tese num projecto que lhes permitiu identificar várias regiões do genoma cereja responsável pela floração e que ajudará a adaptar o seu cultivo a zonas mais quentes.

“É uma investigação muito ambiciosa, na qual estamos imersos há cerca de quatro anos e que surgiu para responder ao avanço da mudança climática, que está a provocar Invernos mais curtos e quentes, algo que de forma alguma beneficia as actuais variedades de cerejeiras, que precisam de muitas horas de frio para florescer e amadurecer os seus frutos”, qualifica Alejandro Calle.

Esta novidade, que acaba de ser publicada na prestigiada revista ‘Frontiers in plant science’, é uma grande descoberta para melhorar a adaptação da produção de cerejas a áreas mais temperadas, algo que agora não pode ser feito pelas condições especiais de floração destas árvores de fruto.

A investigação tomou como ponto de partida uma variedade local da área mediterrânica, chamada Cristobalina, que floresce muito cedo, quase três semanas antes do resto das cerejeiras. “De árvores descendentes desta variedade e de cultivares de floração média e tardia, que temos em plantações da CITA, avaliámos a floração durante vários anos e realizámos diferentes análises em laboratório que nos permitiram identificar regiões do genoma relacionadas com as baixas exigências de floração a frio”, esclarece Alejandro Calle.

O processo tem sido muito exaustivo e, durante estes anos, com a chegada da Primavera, têm vindo a avaliar as datas de floração das diferentes variedades, extraíram o ADN de cada árvore e desenvolveram mapas genéticos deste material. O principal objectivo é que no futuro estas espécies de floração posterior possam ser comercializadas, uma vez verificado que não correspondem a nenhuma das que já existem no registo oficial.

Uma mudança na produção que permitiria a produção de cerejas em áreas diferentes das habituais, por exemplo no sul de Espanha, onde estas plantações não são muito comuns ou em áreas mais quentes de Aragão, uma região onde quase 30% das cerejas nacionais são produzidas, sendo as do Baixo Aragão algumas das mais antigas da península, uma vez que estão entre as primeiras a chegar ao mercado.

“Outra grande vantagem destas novas variedades com floração e maturação mais precoce é que os agricultores poderiam comercializar os frutos muito mais cedo, o que significa que o preço que obtêm pela sua venda será mais elevado, uma vez que há menos género no mercado, o que aumenta consideravelmente os seus benefícios económicos”, conclui o investigador.

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