Comparação tridimensional da arcada dentária superior nas más oclusões das classes I e II

ArTIGOORIGINAL

Comparação tridimensional da arcada dentária superior nas más oclusões das classes I e II

Lic. Claudia Leticia Flores Carrillo e MSP. Jaime Fabián Gutiérrez Rojo

Universidad Autónoma de Nayarit, México.

ABSTRACT

Introdução: A má oclusão dentária refere-se ao alinhamento incorrecto dos dentes ou à forma como os dentes superiores e inferiores se encaixam entre si e, dada a sua prevalência, é hoje em dia considerada um problema de saúde pública.
Objectivo: Avaliar as dimensões do arco transverso, profundidade e distância anteroposterior na mandíbula superior nas más oclusões das classes I e II.
Métodos: Intercaninos, interpremolares, intermolares, distância anteroposterior e profundidade palatal foram medidos em 100 modelos de estudo de dentição permanente. Foi utilizada a bússola Korkahaus, o Microsoft Excel e o teste t de Student.
Resultados: Só foram encontradas diferenças estatísticas significativas nas dimensões transversais e o arco mais estreito estava na maloclusão de classe II.
Conclusão: A má oclusão de Classe I apresentou o arco mais largo, a Classe II tem maior profundidade palatal e a distância anteroposterior em caninos e primeiros pré-molares foi maior nestes últimos e nos segundos pré-molares e molares da Classe I.

Palavras-chave: arcada dentária maxilar, má oclusão, profundidade do palato.

ABSTRACT

Introdução: a má oclusão dentária refere-se ao alinhamento incorrecto dos dentes ou à forma em que os dentes superiores e inferiores se encaixam e, dada a sua prevalência, é hoje em dia considerada um problema de saúde pública.
Objectivo: avaliar as dimensões transversais da arcada dentária, a profundidade e a distância anteroposterior no osso maxilar, nas más oclusões das classes I e II.
Métodos: a distância intercaninos, interpremolares, intermolares, anteroposteriores e profundidade do palato em 100 modelos de estudo da dentição permanente. A bússola Korkahaus, o programa Microsoft Excel e o teste t do aluno foram utilizados.
Resultados: houve diferenças estatísticas significativas apenas nas dimensões transversais e a arcada dentária mais estreita foi na maloclusão de classe II.
Conclusão: a má oclusão de classe I apresentava a arcada dentária mais larga, a classe II tinha maior profundidade do palato e a distância anteroposterior nos dentes caninos e o primeiro dente bicúspide era maior neste último e no segundo dente vestibular da classe I.

Palavras-chave: arcada dentária maxilar, má oclusão, profundidade do palato.

INTRODUÇÃO

Maloclusão é definida como a alteração da oclusão, causada por factores genéticos, principalmente cárie dentária, perda prematura de dentes primários ou permanentes e hábitos perniciosos. A sua frequência varia de acordo com o tipo de população, mas de acordo com alguns autores, as más oclusões de classe I e II são as predominantes. 1 Dada a sua prevalência, é considerado um problema de saúde pública, por exemplo, no México afecta 75% dos adolescentes.2

No passado, a ciência ortodôntica discordou principalmente sobre a distância anteroposterior da má oclusão de classe II, mas hoje em dia têm sido realizados vários estudos para analisar transversalmente os maxilares, o que tem sido controverso, porque os resultados de cada região variam de acordo com o grupo populacional. Nas más oclusões das classes I e II existem diferenças significativas nas dimensões transversais, de acordo com a literatura consultada a este respeito. 3,4

A relação transversal inadequada dos arcos dentários constitui um dos principais factores causais da má oclusão e isto pode ser avaliado medindo a largura intermolares e intercaninos.5 Por esta razão, o estudo das dimensões da maxila é de grande interesse nas áreas de ortodontia, prótese, cirurgia oral, antropologia, biologia e ciências forenses.

Its relevância no campo ortodôntico é porque tanto o comprimento como a largura do arco devem ser considerados no diagnóstico e planeamento do tratamento, uma vez que afectam directamente a quantidade de espaço disponível, estabilidade e estética; enquanto no campo forense a largura intercaninos pode ser usada como parâmetro na reconstrução facial. 6,7

O estudo da morfologia palatal é importante em termos de avaliação motora orofacial e planeamento do tratamento. A função oral e respiratória pode ser afectada quando a profundidade da estrutura palatal é alterada. A morfologia do palato tem estado relacionada com o tipo de crescimento facial.8

Por outro lado, é vital para o ortodontista conhecer o crescimento e desenvolvimento normal da dentição e dos arcos dentários, a fim de interceptar, prevenir e tratar quaisquer alterações de forma atempada.9

A largura e profundidade do palato interarch pode ser alterada pelos hábitos orais. Assim, vários autores relacionam o paladar profundo com a respiração bucal. A forma e tamanho dos arcos são determinados por factores hereditários, crescimento ósseo, erupção e inclinação dentária.10-12

Para avaliação morfológica dos maxilares, os modelos de estudo são ainda considerados uma ferramenta vital que facilita o diagnóstico ortodôntico.9

O objectivo do presente estudo é avaliar as dimensões do arco transversal, profundidade e distância dos incisivos centrais superiores aos caninos, pré-molares e molares na maxila nas más oclusões das classes I e II de Angle para determinar as diferenças entre os dois.

METHODS

A bússola Korkahaus foi utilizada para medir as dimensões transversais e a profundidade palatina em 100 modelos de estudo de pré-tratamento ortodôntico da Universidade Autónoma de Nayarit, que foram divididos em dois grupos de acordo com a maloclusão de Angle das classes I e II.

Modelos de estudo da dentição permanente de ambos os sexos foram incluídos. Foram excluídos os modelos danificados por má utilização, com mordida cruzada posterior ou anterior, anomalias dentárias, ausência de qualquer órgão dentário, assimetria nos arcos, restaurações dentárias, bem como aqueles com defeitos nas cúspides ou abrasões.

A distância intercaninos e a profundidade do palato foram medidas utilizando a bússola de Korkahaus, para a qual o centro das cúspides caninas foi tomado como referência; da mesma forma, foi feita uma terceira medição considerando uma linha de união entre as referências mencionadas e uma que partiu do centro desta, perpendicularmente em direcção aos incisivos centrais superiores.

A distância interpremolar e a profundidade palatal do primeiro e segundo pré-molares também foram medidas, bem como a distância aos incisivos centrais, tendo em conta as cúspides vestibulares. As medidas nos molares foram: distância intermolar, profundidade palatal e distância aos incisivos centrais, tomando como referência as cúspides mesiovestibulares.

O teste t do aluno foi utilizado e foi realizado no programa StatCalc, versão 8.2.1.

RESULTADOS

A amostra consistiu em 50 pacientes com maloclusão de classe I e 50 com maloclusão de classe II. Ao analisar a estatística descritiva (Quadro 1 e Quadro 2), observou-se que na má oclusão da classe I, a distância anteroposterior média era de 7,23 ± 1,77 mm nos caninos; 16,34 ± 1,99 mm nos primeiros pré-molares; 23,17 ± 2,86 mm nos segundos pré-molares; e 30,42 ± 3,68 mm nos primeiros molares.

Tambem, a profundidade maxilar era de 3,06 ± 1,11 mm nos caninos; 6,84 ± 2,16 mm nos primeiros pré-molares; 12,28 ± 2,20 mm nos segundos pré-molares; e 14,68 mm nos primeiros molares.

A largura palatal tinha uma média de 34,73 ± 1,99 mm nos caninos, 36,57 ± 2,25 mm nos primeiros pré-molares, 41,40 ± 2,59 mm nos segundos pré-molares e 46,65 ± 2,85 mm nos primeiros molares.

Na maloclusão Classe II, a distância anteroposterior era de 7,87 ± 2,87 mm nos caninos; 16,87 ± 4,10 mm nos primeiros pré-molares; 22,79 ± 3,06 mm nos segundos pré-molares, bem como 30,19 ± 3,48 mm nos primeiros molares.

A profundidade palatal era de 3,13 ± 1,05 mm nos caninos; 7,28 ± 2,05 mm nos primeiros pré-molares; 12,40 ± 2,15 mm nos segundos pré-molares; e 14,82 ± 3,38 mm nos primeiros molares.

A largura transversal foi 33,51 ± 2,04 mm para os caninos, 34,91 ± 2,33 mm para os primeiros pré-molares, 39,64 ± 2,86 mm para os segundos pré-molares e 45,01 ± 2,70 mm para os primeiros molares.

Ao comparar os valores de maloclusão das Classes I e II pelo teste t de Student (Tabela 3) não foram encontradas diferenças estatísticas significativas na distância anteroposterior, bem como na profundidade palatal, mas foram encontradas diferenças significativas na largura em caninos e pré-molares (p<0,01) e em molares (p<0,05).

DISCUSSÃO

Apesar dos vários estudos realizados em diferentes populações para analisar as medidas transversais da maxila, a variabilidade dos resultados continua a ser controversa.13

Shahroudi e Etezadi,3 em contraste com os resultados do presente estudo, não encontraram diferenças significativas na largura do arco entre as 3 más oclusões dentárias numa amostra de adultos iranianos.

Numa investigação realizada numa população jordana, em largura intermolar e interpremolar, verificou-se que as dimensões eram menores na maloclusão de classe II, divisão 1, do que nas outras maloclusões, como nesta série; mas em termos de largura intercaninos, não foram encontradas diferenças significativas.12

Balan et al. 13 verificaram que a largura intercaninos era maior nas maloclusões de classe II. As medidas dos primeiros pré-molares foram tomadas tomando como referência as cúspides vestibulares de cada lado, e uma dimensão maior foi encontrada na maloclusão I. Para os molares, as cúspides mesiovestibulares foram tomadas como referência e não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos observados. Portanto, apenas os resultados a nível dos pré-molares são consistentes, com valores mais elevados na classe I.

Equalmente, Uysal et al, 14 ao medir as dimensões transversais da maxila, para as quais tomaram como referência as cúspides dos caninos, o vestibular dos primeiros pré-molares e o mesiovestibular dos primeiros molares, em modelos de estudo de dentição permanente, verificaram que as medidas da largura interpremolar eram significativamente mais estreitas na maloclusão de classe II e que a distância intermolar e intercaninos era estatisticamente maior nesta mesma classe; apenas as dimensões ao nível dos pré-molares foram correspondidas.

Embora se observe geralmente uma tendência para uma má oclusão de Classe II no sentido de uma maxila mais estreita do que na má oclusão de Classe I, Shu et al,15 não encontraram diferenças significativas na largura intermolar e interpremolar tanto no primeiro como no segundo pré-molares; Avaliaram também a inclinação vestibulopalatina dos dentes posteriores e determinaram que estavam significativamente inclinados palatinos na má oclusão de Classe II e, por conseguinte, concluíram que a inclinação dentária desempenha um papel importante na distância transversal dos arcos.

Foram obtidos dados semelhantes aos de Patel et al,9 que descobriram que a maxila mais estreita corresponde à maloclusão de classe II, em relação ao resto das maloclusões.

Qamar et al,4 ao comparar a largura transversal nas más oclusões das classes I e II, encontraram valores semelhantes entre a largura intercaninos, interpremolares e intermolares do maxilar superior, tomando como referência as cúspides dos caninos e dos primeiros pré-molares, bem como a cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior.

No estudo de Mushtaq et al,5 os valores de largura intercaninos e intermolares foram semelhantes quando comparados com a maloclusão de Classe I, Classe II-1, Classe II-2 e Classe III, pelo que não encontraram diferenças estatisticamente significativas numa população paquistanesa. Pelo contrário, no presente relatório de caso, o arco maxilar foi considerado mais estreito na má oclusão de Classe II.

Em relação à profundidade palatal, Mulazzani et al 8 aplicaram o índice de altura palatina a uma amostra de 74 crianças, das quais 51,4% eram de palato alto (mais de 40 mm); 43,2% eram de palato médio (entre 28-39,9 mm) e apenas 5,4% eram de palato baixo (menos de 27,9 mm).

Conclui-se que a morfologia do palato e do arco maxilar varia de acordo com o tipo de população. Assim, nesta investigação, nas medidas anteroposteriores, foram encontrados valores mais elevados na maloclusão de classe II, nos caninos e primeiros pré-molares, mas no segundo pré-molar e molar foram mais elevados na classe I; da mesma forma, na profundidade do palato, os valores foram mais elevados na maloclusão de classe II em décimos de milímetros. Não foram encontradas diferenças estatísticas significativas nestas medições. Na má oclusão de classe I, a largura da arcada dentária era mais larga do que na classe II e ao comparar os valores em caninos, pré-molares e molares, foram encontradas diferenças estatísticas significativas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Aguilar N, Taboada A. Frequência das más oclusões e a sua associação com problemas de postura corporal numa população escolar no Estado do México. Bol Med Hospital Infantil Mex. 2013;70(5):364-71.

2. Reyes Ramírez D, Etcheverry Doger E, Antón Sarabia J, Muñoz Quintana G. Associação das más oclusões de classe I, II e III e o seu tratamento numa população infantil da cidade de Puebla, México. Rev. Tamé. 2014;2(6):175-9.

3. Shahroudi A, Etezadi T. Correlação entre a Largura do Arco Dentário e Morfologia Sagital Dento-esquelética em Adultos Não Tratados. J Dent (Teerão). 2013;10(6): 522-31.

4. Qamar CH, Yousaf U, Riaz M. Largura do arco dentário em oclusão normal de classe i e má oclusão de classe II divisão 2. Paquistão Oral Den J. 2012;32(3):427-9.

5. Mushtaq N, Takij I, Baseer S. Larguras intercaninos e intermolares em maloclusões de classe de ângulo I, II e III. Paquistão Oral Dent J. 2014;34(1):83-6.

6. AI-Khafaji T. Dimensões do arco dentário de pacientes com maloclusão de classe III do Iraque Amostra de idade (14-24 anos) (um estudo comparativo). Med J Babylon. 2001;1(8):33-48.

7. Shivhare P, Shankarnarayan L, Basavaraju S, Gupta A, Vasan V, Jambunath U. Largura intercaninos como ferramenta na reconstrução bidimensional do rosto: uma ajuda na medicina dentária forense. J Forensic Dent Sci. 2015;7(1):1-7.

8. Mulazzani Maria C, Da Silva A, Busanello Stella A, Bolzan G, Berwig L. Avaliação da profundidade do palato duro: correlação entre o método quantitativo e o qualitativo. Rev CEFAC. 2013;15(5):292-9.

9. Patel D, Mehta F, Patel N, Mehta N, Trivedi I. Mehta A. Avaliação da largura do arco entre oclusão normal de classe I, divisão 1 de classe II, divisão 2 de classe II, e maloclusão de classe III na população indiana. Mossas Clínicas Contemp. 2015;6(1):202-9.

10. Aznar T, Galán A, Marín I, Domínguez A. Diâmetros do arco dentário e relações com os hábitos orais. Angle Orthod. 2006;76(3):441-5.

11. Martínez M, Martínez Y, Corrales A, Abreu H, Colín S. Profundidad del paladar y posición del hueso hioides en niños con respiración bucal. Rev Ciencias Médicas Pinar del Río. 2017;21(3):319-27.

12. Al- Khateeb S, Abu Alhaija ES. Discrepâncias de Tamanho dos Dentes e Parâmetros de Arco entre Diferentes Maloclusões numa Amostra Jordaniana. Angle Orthod. 2006;76(3); 459-65.

13. Balan Raluca A, Popa G, Bita R, Fabricky M, Jivanescu A, Bratu D. Morfologia do arco alveolar e dentário na má oclusão de Classe II divisão 2 de Angle; um estudo comparativo. Rom J Morphol Embryol. 2014;55(suppl 3):1093-7.

14. Uysal T, Mamili B, Usumez S, Sari Z. Larguras do arco dentário e alveolar em oclusão normal, classe II divisão 1 e classe II divisão 2. Angle Orthod. 2005;75(6): 941-7.

15. Shu R, Han X, Wang Y, Xu H, Ai D, Wang L, Wu Y, Bai D. Comparação da largura do arco, largura alveolar e inclinação vestibulolingual dos dentes entre a má oclusão de classe II divisão 1 e a oclusão de classe I. Angle Orthod. 2013; 83(2):246-52.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *