Flexibilidade metabólica e exercício

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p>Flexibilidade metabólica é a capacidade de responder ou adaptar-se a mudanças condicionais na procura metabólica. Este conceito complexo foi exposto para fundamentar a resistência à insulina e os mecanismos que regem a selecção de combustíveis entre glicose e ácidos gordos, destacando, por sua vez, a característica de inflexibilidade metabólica em indivíduos com obesidade e diabetes tipo 2.

No artigo seguinte, abordaremos em pormenor o conceito de flexibilidade metabólica com base no que diz a literatura. Além disso, vamos contextualizar o termo no que diz respeito ao cenário patológico e à importância do exercício físico.

O que é flexibilidade metabólica?

Flexibilidade metabólica é descrita como a capacidade de um organismo responder ou adaptar-se de acordo com a demanda metabólica ou energética do momento.

Esta capacidade adaptativa do metabolismo é alcançada através da detecção, tráfico, armazenamento e utilização de substrato, dependendo, por sua vez, da disponibilidade e das necessidades energéticas.

Por exemplo, a flexibilidade metabólica é essencial para manter o equilíbrio energético em tempos de excesso ou restrição calórica, e em tempos de baixa ou alta procura de energia, como durante o exercício (1).

Estudos recentes sobre fisiologia do exercício, contribuíram muito para identificar possíveis mecanismos produzidos antes de uma possível inflexibilidade metabólica, que de certa forma é muito característica na utilização ou procura de combustível em populações com síndrome metabólica, obesidade e diabetes tipo II.

Como é bem conhecido, existem múltiplos factores que influenciarão a flexibilidade metabólica, tais como a composição da dieta e a frequência de alimentação, o treino físico e o uso de compostos farmacológicos (2).

De onde vem o termo flexibilidade metabólica?

O conceito mais comum de flexibilidade metabólica, foi proposto num contexto de selecção de combustível após a transição do jejum para um estado de alimentação, principalmente o jejum e a sua relação com a estimulação da insulina para explicar a resistência à insulina(3).

Por outro lado, Randle et al (1963), já apresentavam um princípio para explicar a elevada oxidação dos ácidos gordos e a redução da oxidação da glicose subjacente ao que seria a resistência à insulina e à diabetes tipo 2.

inflexibilidade metabólica
Image 1 – Principais diferenças entre flexibilidade e inflexibilidade metabólica.

Estes conceitos de inflexibilidade metabólica foram depois reconsiderados na população diabética do tipo II durante condições de pós-absorção, uma vez que, sabe-se que o músculo esquelético tem uma oxidação elevada da glucose e uma oxidação reduzida dos ácidos gordos (5).

O termo flexibilidade metabólica evoluiu para abranger outras circunstâncias metabólicas e tecidos, hoje em dia é mais contextualizado em referência a uma adaptabilidade fisiológica baseada num estado patológico e numa procura de energia específica ao exercício físico.

A importância da flexibilidade metabólica

O fígado, tecido adiposo e muscular governam a flexibilidade metabólica sistémica e gerem a detecção, absorção, transporte, armazenamento e gasto de energia através da comunicação através de sinais produzidos pelo sistema endócrino.

A nível molecular, a flexibilidade metabólica depende da configuração das vias metabólicas, que são reguladas por enzimas específicas e factores de transcrição, muitos dos quais interagem estreitamente com as mitocôndrias.

No entanto, como explicado acima, num contexto patológico ou característico de sedentarismo e má nutrição, esta homeostase em que o organismo é encontrado é alterada por uma diferente procura e consumo de substratos energéticos, o que conduz ou pode conduzir a longo prazo à resistência à insulina, síndrome metabólica, diabetes tipo II e obesidade (6).

Exercício físico e flexibilidade metabólica

Exercício físico é outra condição fisiológica que requer flexibilidade metabólica para fazer corresponder a disponibilidade de combustível às necessidades metabólicas e satisfazer as exigências energéticas.

A duração e intensidade do exercício pode influenciar profundamente a procura de energia, dependendo assim de armazéns de energia e vias catabólicas de formas muito diferentes (7).

Por outro lado, o exercício físico depende de uma certa “plasticidade muscular”, referindo-se à capacidade do músculo para se adaptar e responder a uma variedade de estímulos, incluindo a flexibilidade metabólica.

Formação, entendida como um estado estável, pode então alterar o armazenamento e disponibilidade do combustível muscular esquelético (8).

Exercício físico, por sua vez, envolve respostas metabólicas que respondem a condições únicas ao sujeito, bem como outras que são externas ao sujeito. Por exemplo, temperatura, humidade, vestuário, alimentação, idade, sexo, entre outros, factores que condicionam a via metabólica que irá predominar nessa altura.

Há também mecanismos que favorecem a melhor via metabólica para assegurar a eficiência em termos de ingestão de energia necessária. Onde massa muscular, fígado e tecido adiposo são os grandes reservatórios de energia, uma vez que, governarão a flexibilidade metabólica numa estreita ligação com o sistema endócrino.

O papel das mitocôndrias na flexibilidade metabólica

A flexibilidade metabólica envolve as mitocôndrias, sendo aquela organela que facilita a entrada em maior ou menor grau de macronutrientes para oxidação ou utilização. Battaglia et al (2012) mostraram que uma boa massa muscular poderia melhorar a flexibilidade metabólica e que, na população obesa, o metabolismo da gordura é aumentado (9).

Por outro lado, sabe-se que, após uma dieta rica em hidratos de carbono, o índice glicémico aumenta e, portanto, a insulina também, aumentando a absorção de glicose, bem como a sua degradação intracelular.

Ao mesmo tempo, a utilização de ácidos gordos é inibida, de modo que a inclusão de ácidos gordos transportados por carnitina será restringida na sua entrada nas mitocôndrias.

Ácidos gordos e a sua utilização em indivíduos treinados e não treinados.
Image 2 – Ácidos gordos e a sua utilização em indivíduos treinados e não treinados.

Assim, quantidades elevadas de glucose no sangue são definitivas da utilização deste nutriente a nível mitocondrial, inibindo ao mesmo tempo a utilização de gordura.

Não obstante, se o objectivo é utilizar significativamente as gorduras durante o exercício, mas antes do exercício são ingeridos alimentos muito ricos em hidratos de carbono, o resultado é dirigir o metabolismo para a glucose com limitação simultânea da utilização de gordura.

Flexibilidade metabólica e utilização de gordura

Quando os ácidos gordos não são utilizados, são sintetizados em triglicéridos e armazenados. O aumento do piruvato produzido em glicólise acelera ainda mais a oxidação da glicose e a inibição da lipólise e da beta-oxidação (10).

Isto significa que é fácil imaginar como podemos provocar um tipo fisiológico de inflexibilidade metabólica se comermos erradamente um determinado alimento antes do exercício físico, principalmente alimentos multiprocessados ou ricos em gorduras e açúcares refinados, que como já sabemos, também pioram a composição corporal aumentando a gordura visceral.

Por outro lado, sabe-se que uma das causas subjacentes a esta modificação é um estilo de vida cada vez menos activo. Neste ponto, a falta de exercício é provavelmente uma das principais causas de corrupção com flexibilidade metabólica.

Conclusão sobre flexibilidade metabólica e exercício

Parece que os factores mais limitantes para uma ingestão adequada e óptima de energia ou assegurar flexibilidade metabólica são os bem conhecidos hábitos nutricionais, NEAT e exercício físico na sua justa proporção.

Uma massa muscular de maior qualidade seria outro factor importante para melhorar a flexibilidade metabólica.

Por outro lado, as mitocôndrias têm um papel fundamental em evitar a inflexibilidade metabólica, uma vez que, se a sua função for alterada por um estilo de vida sedentário, por uma nutrição deficiente e pelo envelhecimento biológico, conduz a uma fraca flexibilidade a nível metabólico.

Finalmente, o exercício físico é apresentado como uma medida fundamental para controlar a flexibilidade metabólica e assim melhorar a saúde. Recuperar a pessoa em estado patológico ou síndrome metabólica, reduzindo o risco de mortalidade.

Referências bibliográficas

  1. Goodpaster, B. H., Sparks, L. M. (2017). Flexibilidade metabólica na saúde e na doença. Metabolismo celular. 25(5), 1027-1036. (link)
  2. li>Smith, R. L., et al. (2018). Flexibilidade Metabólica como Adaptação aos Recursos Energéticos e Requisitos em Saúde e Doenças. Revisões Endócrinas. 39(4), 489-517. (link)li>Goodpaster B. e Kelley D. (2008). Inflexibilidade metabólica e resistência à insulina no músculo esquelético em: Hawley J. Zierath J. Actividade Física e Diabetes Tipo 2. Human Kinetics, 59-66. (link)

  3. Randle, P. J., et al (1963). O ciclo glicose ácido gordo. O seu papel na sensibilidade à insulina e as perturbações metabólicas da diabetes mellitus. Lanceta. 1963;1(7285), 785-789. (link)
  4. Kelley, D.E., et al (1993). Interacção entre a glucose e o metabolismo dos ácidos gordos livres no músculo esquelético humano. The Journal of Clinical Investigation .92 (1): 91-98. (enlace)
  5. li>De Fronzo, R. A. y Tripathy, D. (2009). A resistência do músculo esquelético à insulina é o defeito primário na , 2 diabetes. Diabetes Care. 32(2), 157‐163. (enlace)li>Hawley, J. A. (2014). Hargreaves M, Joyner MJ, Zierath JR. Biologia integradora do exercício. Célula. 159(4), 738‐749. (enlace)li>Rasmussen, M. et al (2014). Respostas epigenéticas dinâmicas à contracção muscular. Drug Discovery Today (Descoberta de Drogas Hoje). 19(7), 1010‐1014. (enlace).

  6. Battaglia, G. M. (2012). Efeito do treino físico na flexibilidade metabólica em resposta a uma dieta rica em gorduras em indivíduos obesos. American Journal of physiology. Endocrinologia e Metabolismo. 303(12), 1440-5. (enlace)
  7. li>Muoio, D. M. (2014). Inflexibilidade metabólica: quando a indecisão mitocondrial leva a um engarrafamento metabólico. Célula. 159(6), 1253‐1262. (link)

Flexibilidade metabólica e exercício 1

O meu nome é Ortiz Jonathan, tenho 28 anos de idade e sou de Miramar Buenos Aires Argentina. A minha formação qualifica-me como licenciado em Educação Física especializado em alto rendimento e desporto, antropometrista ISAK II e nadador-salvador. Actualmente sou mestre em fisiologia do exercício na Universidade de Barcelona.
Trabalho como formador, gestor e antropometrista no centro de treino funcional e Cineantropometria Corporal Kinesis, que me podem encontrar nas redes sociais (@kinesis corporal). Trabalho também em instituições educativas da cidade onde vivo, como professor de fisiologia na escola salva-vidas CEF N°75 e num centro de educação física.

Sou apaixonado pela investigação e pelo ensino de tudo o que está relacionado com a ciência do desporto e o exercício físico. Procuro através da minha formação e escrita, ser uma ligação e lixeira em análise de uma forma simples as provas actuais sobre tópicos de interesse em formação.

Fazer parte desta rede de formação com validade científica dá-me grande satisfação, encoraja-me a continuar a crescer como profissional, hoje tenho 50 artigos publicados nesta rede de informação. Espero que possam obter algo útil com a minha participação nesta rede, nos meus dados pessoais encontrarão o meu contacto. Uma grande saudação.

Cordialmente Lic. Ortiz, Jonathan

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