IPN Repositório Digital: Bioacumulação e Biomagnificação de mercúrio e selénio em grandes peixes pelágicos da costa ocidental da Baja California Sur, México.

Mercúrio (Hg) é um elemento tóxico que bioacumula em organismos através da teia alimentar aquática, num fenómeno chamado biomagnificação, pelo que os predadores de topo teriam uma bioacumulação mais elevada deste metal. Um mecanismo eficiente de desintoxicação do mercúrio envolve a sua reacção com selénio (Se), que tem sido proposto como um elemento que tem a capacidade de neutralizar as propriedades neurotóxicas do mercúrio. No presente estudo, a bioacumulação de mercúrio e selénio em pelágicos maiores e a biomagnificação foram determinadas a partir do conteúdo de mercúrio das suas presas dominantes ao largo da costa ocidental da Baja California Sur, México. Foram recolhidas amostras musculares de oito grandes espécies pelágicas, bem como das suas principais presas. As concentrações de mercúrio foram lidas utilizando um espectrómetro de absorção atómica com um gerador de hidretos. Os valores são expressos em peso húmido como média ± desvio padrão. A maior bioacumulação de mercúrio foi registada em espadim azul Makaira nigricans (4,38 ± 5,12 μg/g; N= 4) e em tubarões, costeiros principalmente em Carcharhinus limbatus (3,78 ± 1.24 μg/g; N= 8), seguido dos tubarões oceânicos Alopias pelagicus (1,41 ± 0,47 μg/g; N= 5), Prionace glauca (1,39 ± 1,58 μg/g; N= 38) e Isurus oxyrinchus (1,11 ± 0,88 μg/g; N= 26). Estes valores excedem o limite admissível de 1,0 μg/g estabelecido pelo NOM-027 para evitar efeitos na saúde humana. A bioacumulação mais baixa (<1.0 μg/g) ocorreu no tubarão Sphyrna zygaena (0.16 ± 0.32 μg/g; N= 37) e nos peixes ósseos: Thunnus albacares (0,14 ± 0,10 μg/g; N= 68), Kajiura audax (0,32 ± 0,34 μg/g; N= 6) e Coryphaena hippurus (0,23 ± 0,11 μg/g; N= 11). Não foi observada qualquer relação linear entre os tamanhos dos predadores e a bioacumulação de mercúrio em espécies pelágicas maiores, pelo que não poderia haver uma maior bioacumulação de mercúrio à medida que o comprimento do organismo aumenta. Em Thunnus albacares, Coryphaena hippurus e Sphyrna zygaena, apresentaram uma razão molar mais elevada de selénio para mercúrio. Entre as presas analisadas, os peixes Auxis spp. (0,20 ± 0,02 μg/g; N= 3) e a lula Ancistrocheirus lesuerii (0,13± 0,01 μg/g; N= 2) contribuiria com a maior transferência de Hg para os predadores.

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