Modelo linear sem limiar

p>O modelo linear sem limiar, modelo LSU, ou MLSU (em inglês LNTM ou simplesmente LNT) é um modelo científico dos danos causados pela radiação ionizante, em particular do aumento do risco de cancro.

O modelo, que utiliza os efeitos produzidos nos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki devido à falta de outros dados, assume que a resposta biológica à exposição é linear, e que a mesma relação linear continua a ocorrer em doses muito baixas. Supõe ainda que não existe um limiar de exposição em que os efeitos comecem.

Assim, se uma dada dose de radiação for calculada para produzir um caso extra de um tipo definido de cancro por mil pessoas expostas, a MLSU prevê que um milésimo dessa dose causará um caso extra do mesmo tipo de cancro por milhão de pessoas expostas, e que um milionésimo da dose original produziria um caso extra desse tipo de cancro por mil milhões de pessoas expostas.

Este modelo linear foi adoptado pelo organismo internacional composto pelos mais renomados especialistas na matéria, ICRP, por consenso como instrumento de protecção contra as radiações, de modo a que fosse simples calcular os limites de dose para as pessoas.

Conhecimentos adicionais recomendados

Tabela de conteúdos

  • 1 Vantagens do modelo
  • 2 Problemas com o modelo
  • 3 Modelos alternativos ao MLSU
  • 3 Modelos alternativos ao MLSU
  • 3. MLSU
  • 4 Ver também
  • 5 Referências

Vantagens do modelo

O modelo tem vantagens sobre outros para utilização na protecção contra a radiação ionizante.

Por exemplo, assumir um modelo não linear implicaria ou não proteger adequadamente o público ou superproteger sem base científica suficiente. Do mesmo modo, admitir que o modelo poderia ter um limiar abaixo do qual nenhum efeito ocorreria, sem dados científicos, poderia implicar que as pessoas não estivessem suficientemente protegidas.

Não há actualmente provas suficientes para variar este modelo, de uma forma ou de outra.

Outra das suas vantagens é que este modelo permite operar de forma simples, adicionando ou subtraindo as doses recebidas para calcular a probabilidade total.

O modelo foi aceite por organismos como o UNSCEAR, o National Radiological Protection Board (NRPB, agora HPA) do Reino Unido ou o BEIR. Contudo, o último relatório deste organismo americano, BEIR VII, aconselha a não utilizar este modelo para a estimativa de cancros induzidos por rádio em doses inferiores a 100 mSv, e a utilizá-lo apenas como uma comparação com os limites de protecção.

O Conselho Nacional de Protecção e Medições de Radiação, uma entidade criada pelo Congresso dos EUA, publicou um relatório de apoio ao modelo. Este relatório rejeita quase todas as investigações que defendem o efeito da hormese.

p>Outros organismos internacionais (ICRP, IAEA, NEA, UNSCEAR, etc.) também adoptaram a utilização da MLSU.

Problemas com o modelo

Este modelo utiliza dados epidemiológicos dos ataques com armas atómicas a Hiroshima e Nagasaki, o único evento em que um grande número de pessoas foi irradiado e após o qual decorreu tempo suficiente (ocorreu em 1945) para poder estudar os efeitos da radiação, em particular as doenças produzidas e a morte das pessoas afectadas.

Outros grupos sobre os quais estão a ser desenvolvidos estudos epidemiológicos são os mineiros de minas de urânio, e os afectados pelo acidente de Chernobyl. No entanto, em ambos os grupos o tempo decorrido foi demasiado curto para obter dados suficientes. No futuro, os resultados serão incorporados nos modelos utilizados na protecção radiológica, sendo este ponto muito importante, uma vez que estes grupos receberam doses muito inferiores às dos ataques da segunda guerra mundial.

Um problema básico do modelo é a população do grupo estudado. Claramente, na altura dos ataques a Hiroshima e Nagasaki, praticamente todos os machos adultos tinham sido enviados para a guerra, com o resultado de que o grupo sobrevivente era constituído na sua maioria por idosos, crianças e mulheres. A representatividade deste grupo é, portanto, discutível. Por exemplo, as crianças e as mulheres podem ser mais resistentes às doenças produzidas do que os homens adultos.

É também um inconveniente que o grupo de estudo esteja limitado a um determinado grupo étnico (asiático), do qual os dados são obtidos. O pressuposto de que todos os grupos étnicos têm a mesma resposta à doença é discutível.

Outro problema fundamental é a recolha de dados. A doença de base para a qual foram recolhidos dados foi o cancro. Nos países desenvolvidos, cerca de 20% da população morre de cancro (sobretudo devido ao desaparecimento de outras doenças mortais nestes países). Se o aumento de casos de cancro produzidos por um único agente agressivo (neste caso radiação ionizante) for muito pequeno, é impossível discriminar se esse agente agressivo foi a causa. Por esta razão, são necessárias exposições elevadas no grupo estudado, de modo que o efeito (aumento do número de cancros) é suficientemente elevado para se poder distinguir do número total.

Modelos alternativos ao MLSU

  • alguns estudos consideram o MLSU conservador (ou simplesmente errado) para prever o efeito de baixas doses de radiação. Alegam que não há provas que sustentem a suposição de que não existe um limiar.
    li>Outros argumentam que o modelo real não deve ser linear. De facto, sabe-se que o cancro da tiróide apresenta um comportamento quadrático com a dose, e não linear.
  • Outros ainda argumentam a favor de uma hormese em que doses muito pequenas de radiação podem até ter efeitos positivos.
    • li>Outros estudos criticam a MLSU na direcção oposta, alegando que os efeitos em baixas doses de radiação são maiores do que as alegações do modelo. A Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro publicou um estudo que mostra que doses baixas de radiação são perigosas.

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      Ver também

      • hormesis
      • protecção contra radiações
      • toxicologia
      • dose efectiva
      • li>ICRP

      Referências

      1. ICRP (2005), ICRP Publication 99. Extrapolação em baixa dose do risco de cancro relacionado com a radiação, Elsevier. ISSN 0146-6453.
      2. (en inglés)UNSCEAR 1993 Report to the General Assembly, with Scientific Annexes. 922 pages. Sem índice. ISBN 92-1-142200-0. 1993.
      3. (en inglés)National Radiological Protection Board (Britain), Risk Of Radiation-Induced Cancer At Low Doses and Low Dose Rates For Radiation Protection Purposes. Preparado por Roger Cox (chefe dos efeitos biomédicos) + Colin Muirhead (chefe da epidemiologia) + John W. Stather (director adjunto do NRPB) + A.A. Edwards + M.P. Little. 77 páginas. ISBN 0-85951-386-6. Vol.6, No.1 da série Documents of the NRPB. Outubro 1995.
      4. http://www.sepr.es/html/recursos/publicaciones/BEIR%20VII%20Summary.pdf Resumen del informe del VII comite del BEIR (en inglés)
      5. (en inglés)NCRP Report No. 116 – Limitation of Exposure to Ionizing Radiation
      6. (en inglés)BBC article discussing doubts over LNTM
      7. Liu, Shu Zheng, Liu, W. H. y Sun, J. B. Health Physics 52(5) 1987. Estudo que apresenta a hormese em animais
      8. Respostas biológicas a baixas doses de radiação ionizante: Detriment versus hormesis. J Nuc Med. 42(9). 2001.
      9. C. Busby et al. (2003) Recommendations of the European Committee on Radiation Risks (CERR),
      10. Relatório CERR sobre Chernobyl (Abril de 2006)
      11. AIIC (2005),Low doses of radiation linked to small increase in cancer risk
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