O atlas da malária: volume I | elmundo.es saúde

Um dos mapas do projecto (Foto: Plos Medicine')'Plos Medicine')

Um dos mapas do projecto (Foto: ‘Plos Medicine’)

Updated Terça-feira 24/03/2009 01:26 (CET)
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ISABEL F. LÍNGUA

MADRID. Região por região, quilómetro por quilómetro, clima por clima. Durante dois anos, mais de 200 cientistas recolheram dados de 8.938 inquéritos sobre a prevalência do parasita “P. falciparum”, responsável pela malária, tiveram em conta as características espaciais, populacionais e meteorológicas de cada local e reuniram todos os seus conhecimentos para produzir o mapa mais detalhado até à data sobre o risco de malária no planeta.

Os dados deste levantamento exaustivo, o primeiro a ser publicado desde 1968, indicam que 70% dos 2,4 mil milhões de cidadãos expostos ao parasita Plasmodium falciparum, transmitido pelo mosquito Anopheles, vivem em áreas onde o risco de infecção é baixo e onde o controlo da doença é relativamente fácil. Contudo, o outro quarto vive em áreas, principalmente na África Subsaariana, onde a prevalência da doença é muito elevada e a mortalidade permanece elevada.

O planisfério, que é publicado na revista ‘Plos Medicine’ e está disponível para todos aqueles que o queiram consultar através do Projecto Atlas da Malária (MAP) faz um retrato abrangente e fiável da malária em 2007 (o ano com os últimos dados disponíveis), “mas a ideia é que é apenas o primeiro de uma série, uma vez que será actualizado anualmente com novos números”, explica o Dr. Simon Hay, que coordenou o projecto do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford (Reino Unido).

Fundado pelo Wellcome Trust, a maior instituição de caridade médica do mundo, “este mapa é uma ferramenta única e muito poderosa para melhor controlar a doença. Além disso, esta visão global dá-nos esperança de que a eliminação da malária em muitos países é tecnicamente possível, embora seja um desafio que ainda tem de ser considerado a muito longo prazo”, diz o perito de Oxford. “A boa notícia é que as áreas endémicas são menos do que pensávamos”, admitem os autores

“Para assegurar o sucesso de futuros programas contra o paludismo, é necessário saber onde estão os focos, como o mosquito se propaga e, em última análise, onde estamos na epidemia e que progressos fizemos. É por isso que é essencial poder ter este mapa”, acrescenta Robert Snow, que liderou o projecto do Kenya Medical Research Institute.

Por continentes

Para fazer o mapa, o mundo foi estratificado em três zonas: países sem risco de malária, aqueles com risco instável (onde a incidência da doença é baixa e não constante) e aqueles com risco estável (lugares onde o parasita está sempre presente).

Em 2007, a área global de risco estável para ‘P falciparum’ era de 29,73 milhões de quilómetros quadrados, distribuídos entre as Américas (20,30% da área), a chamada zona África+ – que inclui África, Iémen e Arábia Saudita – (com 61,10% da área) e Ásia Central e Sudeste Asiático (18,60%). No total, 1,383 mil milhões de pessoas estão expostas a um risco estável de infecção. Nas Américas e na Ásia, as crianças representam 32% da população total em risco, enquanto em África a proporção sobe para 43%.

“O que vimos é que quase sem excepção o parasita poderia ser eliminado das Américas, dada a sua baixa prevalência. Da mesma forma, o Médio Oriente, a Índia e algumas áreas do Pacífico poderiam ser considerados como muito provavelmente eliminados”, diz Robert Snow a elmundo.es.

P>Embora existam 87 países onde a doença é endémica, “o mapa indica que o mundo é substancialmente menos afectado pela malária do que se poderia pensar após a revisão dos mapas históricos, uma vez que os limites espaciais da infecção foram reduzidos”, concluem os especialistas. “Este recurso cartográfico ajudará os países a determinar as suas necessidades e servirá para avaliar o progresso das estratégias de prevenção”, dizem.

Este especialista lamenta que a África continue a ser o continente mais afectado pela doença e que as perspectivas de eliminação num futuro próximo estejam longe de ser rosas.

Malária é uma infecção parasitária que é a nona principal causa de morte e incapacidade a nível mundial. O parasita causa 500 milhões de mortes por ano, mas é o que mais se aproveita de crianças – mata uma a cada 30 segundos em algumas regiões africanas – e mulheres grávidas.

Um acolhimento caloroso

Michel Kazatchinke, director do Fundo Global de Luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária, a agência que coordena a ajuda para combater o mosquito Anopheles, acolheu com entusiasmo o projecto Atlas. “Precisamos de aumentar a informação e demonstrar aos nossos doadores que investir em estratégias de controlo da malária é reduzir o número de pessoas em risco. Esta ferramenta altamente gráfica mostra estes sucessos e indica as áreas que mais necessitam de ajuda”, disse ele.”

Sir Mark Walport, director do Wellcome Trust, disse: “A disponibilização destes dados ajudará a maximizar o impacto dos programas de controlo para combater esta doença devastadora.

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