O rapto mais longo do país

Enquanto na Colômbia milhares de pessoas passaram pelo que significa um rapto, o caso do oficial subalterno Pablo Emilio Moncayo, que permaneceu mais de 12 anos nas mãos do Farc.

O pesadelo deste colombiano começou em 27 de Dezembro de 1997, quando este grupo guerrilheiro atacou a base militar de Patascoy no departamento de Nariño, onde Moncayo estava a cumprir o seu serviço militar. Em 15 minutos, os guerrilheiros tinham matado 10 soldados e levado outros 18, incluindo o humilde filho de um professor de geografia e um professor de filosofia do município de Sandoná.

Moncayo juntou-se ao exército com o sonho de se tornar um técnico de comunicações quando tinha 19 anos, e por essa razão foi destacado para esta colina fria e primordial no sul do país. Em Junho de 2001, a maioria dos soldados raptados neste evento foram libertados, mas nem ele nem o seu parceiro Libio José Martínez faziam parte do grupo.

O que parecia ser uma detenção transitória acabou por se transformar em meses e depois em anos, quando as FARC os incluíram na lista dos “permutáveis” no processo de paz com Andrés Pastrana. Durante os seus 12 anos de cativeiro, o seu pai, Gustavo Moncayo, empreendeu uma cruzada que o levou a falar com dois presidentes, vários líderes das FARC, até 2007, quando conduziu uma marcha de Sandoná até à capital do país, exigindo a libertação do seu filho.

Uma idade prematura, o professor de história caminhou os 880 quilómetros que separam estas duas cidades. Pouco depois, o país fica a saber da notícia da morte dos deputados de del Valle e a sua marcha ganha outro significado que faz com que todo um país se solidarize com ele. Nos meses em que percorreu o país, não deixou de ser um dos temas centrais das notícias e ao passar muitas outras pessoas juntaram-se a ele, pedindo a pacificação do país. Chamavam-lhe ‘O caminhante pela paz’.

Em Março de 2009 foi anunciado que ele e o seu companheiro seriam libertados, mas devido a problemas de ordem pública, a sua libertação seria adiada por quase mais um ano. A Farc entregou um homem de quase 32 anos de idade que deixou a sua juventude acorrentada na selva colombiana, vítima de um conflito armado que não tinha fim.

A 30 de Março de 2010, a imagem de um homem alto, vestido de verde, atordoado, com um olhar seco, agradecendo ao então presidente da Venezuela Hugo Chavez, ao equatoriano Rafael Correa e à então congressista Piedad Cordoba pela sua libertação, deu a volta ao mundo ao tornar-se o protagonista do rapto mais longo pela Farc.

No presente Pablo Emilio Moncayo, dedica-se a viajar contando a sua experiência e trabalhando com organizações que promovem a paz, sendo um dos retratos vivos de um dos piores crimes de guerra, a privação da liberdade.

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