Os casos de paludismo na Nicarágua são cerca de 30 mil, de acordo com a Minsa

O aumento de doenças epidémicas e vectoriais começa a surgir na Nicarágua, uma situação que os médicos independentes tinham avisado e chamado de “ricochete”. O Ministério da Saúde (Minsa), uma semana até ao final de 2020, informou que o país registou um total de 29.980 casos de malária, no meio da crise sanitária pelo Covid-19 e da investida deixada pelos furacões Eta e Iota.

Como de costume, a instituição de saúde não especificou em que departamentos ou municípios foram registados os 424 novos casos, comunicados na semana de 20 de Dezembro, mas sugeriu que o aumento representa “14% em comparação com a semana anterior”

O Mapa de Saúde da Nicarágua reflecte que, de Janeiro a Agosto, foram registados 13, 440 casos: 7.832 Virax e 5.608 Falciparum.

Os quase 30.000 casos de malária até agora representam 126,7% mais do que os registados em 2019 e 88% correspondentes a 2018.

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Epidemiologista Leonel Argüello argumentou que o aumento se deve ao facto de as medidas de controlo não estarem a funcionar, e na sua opinião os números mostram que existe uma falha no sistema Minsa em termos de prevenção e cuidados.

“Apesar de a Nicarágua ser um país que recebe financiamento, medicamentos, equipamento, formação e aconselhamento técnico do Fundo Global para a Malária, no nosso país a situação é mais grave (…) a doença está concentrada na Região Autónoma das Caraíbas do Norte (RACN), em Bilwi mais de 90% e em cerca de três bairros a situação produto dos furacões irá deteriorar-se ainda mais”, advertiu ele.

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O especialista do Comité Científico Multidisciplinar mencionou que “os dados Minsa estão próximos da minha estimativa, porque se fizer uma relação linear, se até Maio houver 13.340 casos, então teria cada mês 2.688, ou seja, de Junho a Novembro que são 6 meses teria pelo menos 16.128 casos adicionais, ou 16.128 mais os 13.340 são um total de 29.568 casos”.

As poças geradas pelas inundações nas Caraíbas do Norte aumentam a vulnerabilidade dos habitantes, que estão expostos à malária, dengue ou leptospirose. LAPRENSA/Wilmer López

Malaria, primeiro lugar em doenças epidémicas

O epidemiologista Argüello, também explicou que o mosquito transmissor põe o seu ovo em qualquer lugar, e mais nas poças que se tornam locais de reprodução. O insecto pode transmitir quatro tipos de parasitas, mas esclareceu que na Nicarágua existem apenas dois, vivax e falciparum. A malária ocupa o primeiro lugar entre as 10 doenças infecciosas epidémicas mais frequentes do país.

A critério do especialista, a situação no país é “muito má do ponto de vista do risco de morte por malária na Nicarágua”, e explicou que “é uma doença transmitida por um vector que é o mosquito anopheles albimanus, põe os seus ovos em água suja”, em poças e uma semana depois o mosquito fêmea sai, cruza com o macho e procura sangue para amadurecer os seus ovos, suga o sangue de uma pessoa que tem o parasita da malária e uma semana depois morde outra pessoa e eles introduzem o parasita”.

“Neste momento o mais relevante é o das 10 doenças infecciosas epidémicas mais frequentes, o paludismo está em primeiro lugar, uma vez que o tipo Vivax e a partir deste ano 2020 começa a aparecer o paludismo falciparum, que é o paludismo que pode ser agravado, para 2018 era apenas 9% e este ano ocupa 42% do total de casos de paludismo”, referiu Arguello.

As recomendações

Face à situação difícil o especialista forneceu recomendações para que os cidadãos pudessem ser atendidos a tempo.

      • Se apresentar febre e estiver nas Caraíbas ou visitá-la, faça um teste de malária, chama-se gota grossa e de preferência faça-o quando tiver febre, vá à unidade de saúde e diga que quer excluir que tenha malária.
      • Utilizar rede mosquiteira para dormir.
      • Se lhe for dado tratamento para a malária, tome-o por completo, porque se não o fizer pode voltar a recebê-lo.
      • Não mantenha lagos, faça drenos para que a água não estacione, mantenha o arbusto baixo para evitar que se escondam durante o dia.
Finalmente, o especialista disse que a Minsa deveria facilitar testes laboratoriais, tratamento, fumigação, destruição de locais de reprodução e redes mosquiteiras impregnadas com insecticida, bem como a educação.

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