SEPEAP – Sociedad Española de Pediatría Extrahospitalaria y Atención Primaria (Português)

Purvis D, Lee M, Agnew K, et al. Efeito a longo prazo do metotrexato na dermatite atópica infantil. J Paediatr Child Health. 2019; 55 (5)

A dermatite atópica severa tem um impacto profundo na qualidade de vida das crianças e das suas famílias e, em certos casos, envolve a necessidade de admissão para tratar complicações decorrentes da mesma. Os imunossupressores sistémicos como o metotrexato estão incluídos nas directrizes de gestão para estes casos de dermatite, mas os dados sobre a sua eficácia ainda são limitados.

O objectivo do presente estudo era avaliar o efeito do metotrexato durante o tratamento, mas especialmente os efeitos a longo prazo uma vez terminado o tratamento. Foi realizada uma revisão retrospectiva de crianças até aos 16 anos de idade tratadas na Nova Zelândia, nas quais o metotrexato foi iniciado em grave surto de dermatite descontrolada após 6 semanas de tratamento com corticosteróides e emolientes tópicos. Foi utilizado uma vez por semana oralmente com a adição de ácido fólico.

Foram recolhidos dados de 43 crianças, a idade média no início do tratamento era de 10 anos e com uma dose de 0,33 mg/kg com uma duração de 17 meses. Trinta e três por cento das crianças tinham exigido a admissão antes do início do metotrexato e esta percentagem diminuiu para 14% após o início do tratamento. Foram obtidos dados de 70% dos pacientes após a conclusão do tratamento (mediana 29 meses depois). Destes 17%, 7% não registaram qualquer alteração, 7% registaram ligeiras melhorias e 77% registaram muitas melhorias. O tratamento foi geralmente bem tolerado, e não foram detectadas alterações nos controlos analíticos que tornassem necessário suspender ou reajustar o tratamento em qualquer caso.

Tendo em conta os resultados, o tratamento com metotrexato em dermatite grave parece eficaz e seguro, e foi associado a uma redução nas admissões e melhoria a longo prazo mesmo após o fim do tratamento.

Limitações do estudo devem ser tidas em conta, tais como o baixo número de amostras, o facto de os dados resultantes serem provenientes de inquéritos telefónicos aos pais e o facto de a resolução natural da doença não poder ser excluída em alguns casos, dada a tendência da dermatite atópica para melhorar com a idade.

Laura Gómez Recio
Pediatra. CS de Béjar. Salamanca

Salamanca.

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